Operário completa 65 anos com direito retornar ao Campeonato Brasileiro da Série D

65 ANOS
Operário completa 65 anos com direito retornar ao Campeonato Brasileiro da Série D

O clube disputou a Taça Brasil, pela primeira vez na história, em 1967, e ainda em 1973, conquistou o mais importante título na história do time, o de Campeão Mato–grossense de Futebol Integrado, com a participação de clubes do Sul e Norte do Estado


30/04/2014    1263

Fundado no dia 1º de Maio de 1949, através de um grupo de jovens, liderados por Rubens dos Santos, o Clube Esportivo Operário Várzea – grandense completa nesse dia 1º de Maio de 2014, 65 anos de existência. Na era do amadorismo até 1966, foram várias conquistas, em especial o tri – campeonato amador em 1953/54/55, e, em especial, um dos títulos mais importantes na história do clube, o de Campeão dos Campeões de Mato Grosso em 1964, quando na final, com um gol de Ide ”Nhara” na prorrogação, derrotou o Ubiratã de Dourados por 1 X 0. Após as gloriosas conquistas, o tricolor chegou a licenciar, trocou de nome, e até caiu para a Segunda Divisão, retornando a Elite do futebol mato–grossense em 2013, e, por problemas financeiros, quase não disputa a semifinal  do Estadual desse ano de 2014. Jogadores com salários atrasados, sem alimentação, e despejados do Hotel onde moravam, resolveram  através do jovem presidente Geovani Banegas, procurar o prefeito Walace Guimarães. De imediato, conforme o assessor Fran Campello, o prefeito entrou em contato com vários empresários da cidade, que abraçaram a causa, e o Operário arrecadou o suficiente para continuar no campeonato, conquistando uma vaga para a Série D do Campeonato Brasileiro, previsto para iniciar após a realização da Copa do Mundo.

Taça Brasil - O clube disputou a Taça Brasil, pela primeira vez na história, em 1967, e ainda em 1973, conquistou o mais importante título na história do time, o de Campeão Mato–grossense de Futebol Integrado, com a participação de clubes do Sul e Norte do Estado. Em 1985/86 e 87 o primeiro tri–campeonato como profissional do clube, e após a divisão do Estado, só deu Mixto, que ganhou tudo que foi disputado, com o “Chicote da Fronteira” só voltando a ganhar um título em 1983.  “De 1973 até 1983 foram dez anos de jejum, deixando a torcida apreensiva e triste”, comentou Branco de Barros, o presidente campeão na época. Na atualidade como Operário Futebol Clube, o tricolor procura espaço nas conquistas, mas, isso é um assunto para o futuro.

Profissional - Em 1967, Rubens dos Santos, com muito sacrifício, ao lado de dirigentes como Ranulfo Paes de Barros, Joaquim de Assis, Macário Zanacape e Agripinio Bonillia, implantou o futebol profissional em Mato Grosso. “O compadre Rubens pode ser considerado o “pai” do nosso futebol, pois se não fosse ele, a sua perseverança, o futebol profissional chegaria muito mais tarde no Estado”, confirmou Atair Monteiro, presidente do clube na vitoriosa conquista do título de 1º Campeão dos campeões em 1964 como amador, e diretor na conquista do 1º título no futebol profissional em 1967.  No ano seguinte, 1968, conquistou o bi–campeonato com Branco de Barros na presidência.

Reformulação - Em 1971, Rubens dos Santos retorna ao clube, trazendo com ele um jovem radialista, Roberto França que assumia como treinador. Várias contratações foram feitas no futebol carioca e mineiro, quando chegaram Gaguinho (Botafogo), Jorge Cruz (Bonsucesso), Veludo (Madureira), Fagundes (Araxá e Araguari), e maior de todas, o artilheiro Bife, falecido recentemente, contratado ao LS de Campo Grande-MS, a pedido de Roberto França, que deixou o cargo no final do primeiro turno, assumindo João Batista Jaudy. O Operário foi vice-campeão, perdendo o título para  Dom Bosco em uma final emocionante, pelo placar de 3 X 2.

1º campeão estadual - Era do Operário as façanhas nas conquistas do título de Campeão dos Campeões em 1964, implantação do futebol profissional em 1967, onde foi campeão, e no ano de 1973, com o título sendo disputado em 74, conquistou o título de 1º Campeão Estadual de Futebol Profissional (Mato Grosso ainda não tinha sido dividido). O time foi reforçado com as contratações de Paulinho (ex- Operário de Campo Grande, Linense e Portuguesa de Desportos), Zé Pulula do Londrina–PR, Arlindo (Goiânia), Ruiter (Mixto), Márcio (futebol carioca), Dirceu Batista (Cruzeiro), Carlos (ex- goleiro do São Paulo em 1964 e Formiga-MG (1968), o lateral Lira e o irmão Gilson Lira (ABC de Natal), e o treinador Totinha Gomes, ex-auxiliar de Don Freitas Solich no Atlético Mineiro, e campeão da 2ª Divisão mineira com o Paraense de Pará de Minas. Na decisão o Operário goleou o Dom Bosco por 4 X 0, e conquistou o primeiro título de campeão estadual antes da divisão do estado de Mato Grosso. Na ocasião da conquista, o tricolor contou vários treinadores, iniciando com Totinha Gomes, passando por João Batista Jaudy, Serjão (ex-zagueiro do América Carioca), Capitão Piramy, Airton Diogo, Nivaldo Santana, Dasmaceno e na reta final, foi dirigido por um triunvirato, formado Beraldo Corea, Expedito Sabino e Rubens dos Santos. Airton Vieira de Morais (Sansão) foi o árbitro da partida. Na diretoria as presenças de Rubens dos Santos, Ingo Klein, Branco de Barros, Fioriavante Fortunato, Eduardo Saraiva, Segala e Jota Maia, e Murilo Godoy e Moacir De Lannes, responsáveis pelo departamento médico do clube.  Após a vitoriosa campanha de 1973/74, a constelação tricolor foi desfeita, com Bife e César, vendidos ao Comercial de Campo Grande, Ruiter retornando ao Mixto, e vários outros craques negociados. Do plantel antigo ficaram Zé Pulula (Lula), Carlos Pedras e Odenir. Novas contratações foram feitas, a saber: o goleiro Orlando “Gato Preto” (ex-Portuguesa de Desportos, São Cristóvão–RJ e Juventus–SP), Gersinho do São Paulo, Magela do Ceará, Bota do Dom Bosco, Vandinho, Marcos e Nezinho do Guarani de Campinas, e do futebol amador cuiabano, novas caras surgiram, entre eles, Carlos Victor, Nélio Ramos, Zezinho, Juquinha, Índio, Jadir e Teco.

                                                                                                                                             

Sem títulos - O tricolor com a inauguração oficial do Estádio Governador José Fragelli (Verdão) em 1976, ficou 10 anos sem ganhar nada, pois, após a divisão do Estado em 1979, o Mixto reinou, ganhando todos os títulos, só perdendo a hegemonia para o tricolor em 1983,  quando o presidente Branco de Barros assumiu mais uma vez a presidência do clube, e fez várias contratações, e ganhou o campeonato. O falecido treinador Nivaldo Santana, apontado na pesquisa como o melhor treinador do Operário em todos os tempos, além dos profissionais, comandava o Chicote desde as categorias de base.                                                      

Tri–campeão - Começava o ano de 1985, e o Operário tinha o radialista Edvaldo Ribeiro como presidente. Com ele idéias novas, contratações de peso, e a formação de um super time. Na decisão diante do Mixto, uma goleada por 5 X 0, com dois gols de Dito Siqueira, Wanderley, Alencar e Lúcio “Bala”. O Time venceu a final com Wandeir (ex-Goiás ), Nei Dias (ex- Flamengo), Marião (ex- São Paulo, Sport Recife e Operário MS), Gilvan (Vila Nova GO )  e Laércio (ex-Sertãozinho e Grêmio Maringá); Alencar (ex-América Carioca e seleção brasileira de novos), Dito Siqueira (Sérgio Luiz) e Wander (ex-Comercial e Botafogo de Ribeirão Preto); Lúcio “ Bala” (ex-Ponte Preta,Guarani de Campinas, Palmeiras SP, Flamengo e América do Rio de Janiero) - (Nasser), Wanderley (ex- Mixto e Santo André ) e Ivanildo (ex- ABC e América de Natal). O paranaense José Calazans era o treinador. No ano seguinte, Edvaldo Ribeiro reformulou o elenco, conquistando o bi-campeonato após dois empates seguidos com o Mixto em 2 X 2, e na terceira e decisiva partida, com gols de Jota Maria (gol antológico do meio campo – o goleiro era Mug) e Luisinho, levou a melhor, vencendo por 2 X 0, levando a taça. O time era dirigido por Antonio Malaquias e atuou com Wandeir, Genilson, Ailton Lima, Panzariello (ex- Campo Grande-RJ) e Laércio; Sérgio Luiz (Ailton Calango), e Mosca; Jota Maria (ex- Vila Nova-GO e Corinthians Paulista), Luisinho (ex- Vila Nova GO) e Ivanildo. O time tinha ainda Pedrinho, Mazola, e das categorias de base, Jamil, Nasser, Ozéas, Caruzo, Odair, Julinho, Sêba, Farofa, Fumacinha, Miguel e Lé Morais. Em 1987, o inédito título de tri-campeão aconteceu com Osmar Rodovalho (ex-Goiás e Vila Nova-GO)  na direção técnica, com José Roberto Pará como supervisor. Mais uma o vez o “Clássico dos Milhões”, entre Operário e Mixto decidiria o campeonato. Com gol de Pelego  no final do jogo, o tricolor fez a festa, garantindo o título. Júlio César (ex- Santo André e Londrina-PR), Caruzo, Laércio, Panzariello e Ozéas; Edmilson, Pelego (ex-Maringá–PR) (Ailton Calango), e Esquerdinha (defendeu várias equipes do interior paulista); Nasser, Jorginho e Ivanildo era o time naquela tarde.

Diretoria jovem - Apesar de passar por mãos de pessoas inteligentes e capacidades na administração, após a conquista do tri, só alcançou a glória novamente em 1994/95, onde o presidente Roberto Martins, contando com o apoio de jovens como Maninho de Barros, Chiquito Correa (falecido), Carlinhos Batico, Honório Magalhães, e Lulu do Mané Bernardo, contratou o treinador “Búfalo” Gil, ex-craque da seleção brasileira. A seu lado na comissão técnica contava com Gilmar Ferreira (preparador físico), Carlos Pedras (treinador de goleiros), e Geraldo Malaquias (Massagista). O plantel era formado por Hernandes, Agnaldo, Sálvio, Marquinhos, Iúca, Zé Valdo, Bujíca e Andrade (ex-Flamengo), Adrísson, Ferreirinha, Márcio, Jailson, Ado (ex-Paraná–PR), Edson Luiz, Gersinho, Victor, Índio, Josenilson, Jonas, Wender (futebol Português) e Abílio. Bujíca foi artilheiro do campeonato com 23 gols.  A decisão aconteceu no dia 04 de agosto de 1995, com o tricolor derrotando o União de Rondonópolis no Verdão por 2 X 1, gols de Vitor aos 12 do 1º tempo, e Iúca aos 04 minutos da 2ª etapa. Berg marcou o gol do União. Joelmes de Jesus apitou o jogo, e como auxiliares, Ari Euclides e Joilson Aleixo. O público de 1.935 pagantes proporcionou uma renda de R$ 19.350,00. O Operário atuou com Agnaldo, Josenilson, Edson Luis, Índio e Zé Valdo (Adrisson); Ado, Victor, Gersinho e Iúca; Bujíca e Wender.

Neymar - Em 1996 Carlinhos Batico assumiu a direção, e apesar dos esforços, o time não ganhou nada. No ano seguinte, em 1997, Wandir Sguarezzi, com apoio dos jovens Maninho de Barros, Chiquito Barros, Dudu Campos, contando com Carlos Henrique Pedroso (Mosca) como diretor, aliado as experiências de Rubens dos Santos, Branco de Barros e Beraldo Correa, manteve Búfalo Gil no comando técnico, Gilmarzinho na preparação física, Gigi Boi na supervisão e Claudinor Sabiá como mordomo, conquistando mais uma vez o título estadual. O atacante Neymar, pai do ídolo atual Neymar, craque do Barcelona, foi uma das contratações de Maninho de Barros. Voltou a repetir o feito em 2002, e após passar quatro anos no jejum, conquistou a Copa Governador do Estado em 2005, ano do falecimento do jovem presidente Jaiminho Campos que era uma grande promessa para o retorno do clube aos dias de glória. Ganhou novamente o título estadual  em 2006, após vencer o Barra do Garças por 2 X 0 e 2 X 1. Ainda em 2006 realizou uma boa campanha na Série C do Campeonato Brasileiro, e na Copa do Brasil de 2007 foi eliminado pelo Palmeiras de São Paulo. É bom lembrar que o Operário teve ainda vários presidentes, entre eles, Ailton Azambuja e Wendell Rodrigues, que, dizem, dentro suas possibilidades, conseguiu realizar um bom trabalho em sua administração.

Por: Pulula da Silva - SECOM/VG