Prefeita Lucimar entrega reforma geral da Casa de Artes e comemora processo para se tornar Patrimônio Histórico Cultural

História, Raízes e Cultura
Prefeita Lucimar entrega reforma geral da Casa de Artes e comemora processo para se tornar Patrimônio Histórico Cultural

Outra conquista é a regularização de toda sua documentação junto à Biblioteca Nacional


02/09/2020    674

A reforma da Casa de Artes de Várzea Grande, entregue no início dessa semana, traz mais do que melhorias na estrutura física do espaço. É na verdade a revitalização do berço da cultura várzea-grandense. O projeto atendeu necessidades específicas do local, que não apenas exibe parte da tradição de seu povo. Seu objetivo maior é o fomento do conhecimento que atravessa gerações, seja no artesanato, nas artes plásticas, na culinária, na música ou mesmo na dança. Mais do que nunca, a Casa de Artes de Várzea Grande faz jus ao seu nome e é sem dúvida, a guardiã de uma cultura de mais de 150 anos.

“Cultura, tradição e história se encontram e se completam dentro da Casa de Artes de Várzea Grande. Esse espaço, em pleno Centro comercial da cidade, abriga, promove e perpetua o que há de mais precioso para a população local: sua identidade cultural expressada por meio das manifestações culturais”, destacou a prefeita Lucimar Sacre de Campos, ao visitar e fazer a entrega da reforma.

Ainda como fez questão de destacar a prefeita, Várzea Grande tem uma tradição rica, centenária, que vai das famosas redes feitas de forma manual, em tear, passando pela música, com o cururu, até à gastronomia, que tem como prato principal o peixe. “Temos doces, compotas, uma infinidade de peças em tapeçaria, todas nascidas em tear manual, peças de barro, produtos feitos através da reciclagem. A Casa de Artes mantém viva nossa história e ao mesmo tempo vai dando toque de modernidade com a troca de experiências entre as gerações”.  Riqueza, história e tradição reunidas em um único espaço e preservadas, pontuou a prefeita.

Além da reforma, a Casa de Artes tem mais a comemorar: com a regularização de toda sua documentação junto à Biblioteca Nacional, o que habilita a Casa a receber materiais pertinentes ao seu acervo e ainda pleitear recurso para fomento da arte e cultura local. “A regularização documental é um grande passo para o reconhecimento da Casa de Artes no cenário nacional”, destacou a superintendente municipal de Cultura, Maria Alice de Barros Silva.

Ainda no campo das boas notícias, a superintendente anunciou que teve início o processo de tombamento do patrimônio histórico da Casa de Artes, ou seja, de todo seu acervo. “O que trará segurança e visibilidade a todo trabalho realizado pela Casa, em nível nacional e internacional”.

A Casa de Artes é ponto de referência para turistas brasileiros, oriundos de outros estados, bem como de estrangeiros, vindos dos Estados Unidos, Canadá e América Latina. Em geral, a maior parte se encanta com as peças de tapeçaria, que são justamente as de maior valor agregado.

“Como disse, nosso objetivo é fomentar a arte e a cultura em todas as suas manifestações”, pontuou Maria Alice.

A MAGIA DO TEAR - Mais que fomentar o artesanato, com as mundialmente conhecidas redes tecidas fio a fio no tear, a Casa, tem tido papel fundamental para que as redes artesanais da comunidade Rural de Limpo Grande tenham reconhecimento nacional como patrimônio cultural brasileiro e reconhecendo o artesanato local como um bem imaterial nacional.

O tear, por exemplo, é o único de toda a região metropolitana, que pode ser visto ao vivo em plena atividade. É sempre requerido para ser mostrado em plena atividade em reportagens, documentários e filmagens. Dentro da proposta da Casa de Artes, além de ser responsável pela produção de diversas peças de tapeçaria como redes, capas de almofadas, jogos americanos, caminhos de mesas e echarpes, o tear tem o papel principal de ensinar as novas gerações o ofício de redeira, já que a profissão é reconhecida no Município e no Estado.

A Casa de Artes oferece o curso de tear de forma gratuita. Por ser complexo e necessitar de uma instrução mais personalizada, são apenas quatro vagas por turma para cada um dos três aparelhos. Como explica a superintendente municipal de Cultura, Maria Alice de Barros Silva, o curso tem duração de quatro meses e é ofertado sem custo à comunidade porque o maior intuito é preservar a cultura local e formar novas redeiras/tecelãs. 

A Casa de Artes possuiu atualmente 158 artistas cadastrados que fornecem constantemente ou já forneceram seus produtos para exposição e comercialização no espaço. Toda a renda com a venda dos objetos é 100% revertida ao artista. A Casa é mantida pelo Município e com a venda de artigos que são produzidos por artesãos contratados pela Casa. “Os cadastrados recebem uma espécie de consultoria quanto ao valor final do produto, apresentação dele em embalagens, acabamento, fazemos a comercialização e ao final, entregamos 100% do valor do que foi vendido”, explica Maria Alice.

Todos os artigos expostos estão à venda. Além de artigos de tapeçaria, há móveis esculpidos em madeira, moldados em barro e cerâmica, jogos de cama, mesa e banho, artigos para presentes e petiscos da culinária local, como banana da terra frita, e doces em compota.

A Casa de Artes está localizada na Avenida Couto Magalhães, ao lado da Praça Sarita Baracat antiga Aquidaban. Funciona das 8h às 17h30. Recebe grupos de turistas e de estudantes. Quem quiser assistir os artesãos no tear é bom ligar para confirmar o horário em que cada um está disponível no espaço. Contato pelo 3682-6640.

Por: Marianna Peres - Secom/VG