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O câncer do colo do útero pode se desenvolver silenciosamente, sem apresentar sintomas em suas fases iniciais. Por isso, manter os exames preventivos em dia é fundamental para identificar alterações que, se não forem acompanhadas e tratadas no momento adequado, podem evoluir para a doença. O alerta é da médica Gabrielle Chaves, da Unidade de Saúde da Cohab Cristo Rei, em Várzea Grande, que reforça a importância do rastreamento e orienta as mulheres a não esperarem o aparecimento de sintomas para procurar atendimento.

Segundo a médica, o principal objetivo do exame preventivo, também conhecido como Papanicolau ou CCO, é identificar alterações nas células do colo do útero antes que elas se transformem em um problema mais grave. Muitas dessas lesões não provocam dor, sangramento ou qualquer outro sinal perceptível, o que torna o acompanhamento periódico ainda mais importante.

“Quando a mulher demora muito para realizar o exame, podemos perder a oportunidade de identificar uma lesão pré-cancerígena em tempo hábil e tratá-la antes que evolua para um câncer do colo do útero. Essas alterações podem ser assintomáticas e, quando descobertas tardiamente, o tratamento pode se tornar muito mais complexo”, explica Gabrielle.

A médica destaca que, dependendo do estágio em que uma alteração é identificada, podem ser indicados procedimentos para tratar lesões precursoras, evitando a progressão para um câncer invasivo. Entretanto, quando a doença já está instalada, a paciente pode necessitar de tratamentos especializados, como cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, conforme a avaliação médica.

“É para isso que serve o exame de rastreamento: para encontrarmos alterações antes de aparecerem os sintomas. Quando a mulher procura atendimento porque já apresenta algum sinal da doença, a finalidade da avaliação muda. Não estamos mais falando apenas de prevenção, mas da investigação de um possível problema de saúde, ou seja, passamos de uma situação de rastreamento/acompanhamento para o diagnóstico”, ressalta.

EXAMES DISPONÍVEIS NAS UNIDADES DE SAÚDE - Em Várzea Grande, todas as Unidades Básicas de Saúde oferecem a coleta do exame citopatológico do colo do útero (CCO). O atendimento é organizado de acordo com a rotina de cada unidade. Algumas trabalham com dias específicos para a realização do procedimento, enquanto outras recebem as pacientes por demanda espontânea de segunda à sexta-feira.

A orientação da médica é que as mulheres procurem a unidade de saúde mais próxima de casa para verificar como funciona o serviço e manter o acompanhamento preventivo.

O rastreamento do câncer do colo do útero é recomendado, de forma geral, para mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram a atividade sexual. A periodicidade depende do tipo de exame, dos resultados anteriores e das condições individuais de saúde, devendo seguir a orientação dos profissionais da rede.

Gabrielle também chama à atenção para a importância de guardar os resultados dos exames e manter o histórico atualizado na unidade de saúde, especialmente em situações de mudança de endereço ou transferência de atendimento.

“É importante que a mulher tenha esse controle, que seus exames estejam registrados e que ela saiba quando precisa retornar. Assim, não perdemos a oportunidade de identificar uma alteração no momento adequado e garantir o acompanhamento necessário”, orienta.

OUTUBRO ROSA REFORÇA CUIDADO PERMANENTE - A conscientização sobre o câncer do colo do útero integra as ações de cuidado com a saúde da mulher desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande durante o Outubro Rosa.

No Dia D da campanha, realizado no sábado (10), as 26 Unidades de Saúde da Família participantes contabilizaram 514 coletas de exames preventivos, além de consultas, solicitações de mamografia, vacinação e outros serviços.

A mobilização reforça que o cuidado com a saúde não deve ficar restrito às campanhas realizadas em datas específicas. O acompanhamento regular, a vacinação contra o HPV e a realização dos exames de rastreamento, conforme indicação, são medidas importantes para reduzir o risco de desenvolvimento do câncer do colo do útero.