Dados da Atenção Primária mostram que absenteísmo é maior no período da manhã e entre jovens de 20 a 29 anos e a USF Água Limpa lidera número de ausências
Você já ouviu falar em absenteísmo? Essa palavra, pouco conhecida, significa muito e impacta nos custos operacionais e sobre a ineficiência na gestão pública do Sistema Único de Saúde (SUS). Absenteísmo refere-se ao não comparecimento de pacientes a consultas, exames ou procedimentos médicos previamente agendados nas unidades de saúde, sem aviso prévio. E nesse contexto, Várzea Grande contabiliza 4.953 faltas de pacientes a consultas e procedimentos agendados na rede básica de saúde entre os dias 1º de março e 31 de agosto de 2026.
O número consta do Relatório Gerencial de Absenteísmo do sistema e-SUS APS, do Ministério da Saúde, obtido junto à Secretaria Municipal de Saúde. O dado representa vagas desperdiçadas, tempo ocioso de profissionais e maior tempo de espera para quem está na fila e até mesmo a descontinuidade de tratamentos e acompanhamentos.
Como explica o coordenador da Atenção Primária de Várzea Grande, Marcílio Leite da Conceição Neto, o levantamento aponta que o absenteísmo é significativamente maior no período da manhã. Foram 3.136 faltas pela manhã, o que representa 63% do total, contra 1.815 à tarde e apenas 4 à noite. “Essa concentração no turno da manhã sugere dificuldade dos pacientes em conciliar o atendimento com a rotina de trabalho e com o transporte público”, avalia o técnico.
TRÊS UNIDADES CONCENTRAM QUASE 40% DAS AUSÊNCIAS - Das 29 unidades que registraram faltas no período, três concentram o maior volume. A USF Água Limpa – Laurentino Paulo de Cerqueira - lidera o ranking com 758 faltas. Na sequência aparecem a USF São Matheus II – Vereador João Avelino Bulhões - com 605 e a USF Manaíra – Margarida Tavares Pereira - com 511.Somadas, as três unidades responderam por 1.874 ausências, o equivalente a 37,8% de todas as faltas da rede no semestre.
Outras unidades com índice elevado foram a USF Jardim União – Aurília Sales Curvo -, com 381, e a USF Unipark – Manoel Bernardo de Barros - com 346.
JOVENS SÃO OS QUE MAIS FALTAM - O relatório quebra a ideia de que os idosos seriam os que mais faltam. O maior índice de absenteísmo está entre jovens e adultos em idade produtiva.
A faixa etária de 25 a 29 anos lidera com 376 faltas, seguida por 20 a 24 anos, com 369, 30 a 34 anos, com 362, e 15 a 19 anos, com 355.Somadas, as faixas de 15 a 34 anos respondem por 1.462 faltas, ou 29,5% do total geral.
Entre crianças com menos de 1 ano foram 235 faltas e entre idosos com 80 anos ou mais, 104.
SERVIÇO – O QUE FAZER SE NÃO PUDER IR – O secretário municipal de Saúde, Michael Alves, explica que as ausências geram impactos em todo o sistema público. A ociosidade é o principal impacto, pois, existem pacientes aguardando por atendimento, enquanto outros conseguem a vaga, mas não comparecem. Situação que se agrava em casos de consultas ou exames de especialidades médicas de média e alta complexidade. “Para além disso, há o fator descontinuidade do cuidado médico. Essa interrupção pode agravar doenças, levando o usuário a buscar a automedicação ou lotar serviços de urgência e emergência.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que o paciente que não puder comparecer à consulta agendada avise a unidade com pelo menos 24 horas de antecedência. Com o aviso, a equipe consegue repassar a vaga para outro paciente que está na lista de espera ou mesmo que está presencialmente na unidade à espera de um encaixe. O contato pode ser feito diretamente na USF de referência ou por meio do agente comunitário de saúde da área.
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